Como plantar abóbora e moranga

Abóboras e morangas
Abóboras e morangas - imagem original: Vasenka Photography - Licença Creative Commons

Abóbora, moranga, jerimum e mogango são nomes dados popularmente a frutos de algumas espécies do gênero Cucurbita. Estas plantas são bastante semelhantes entre si e seus frutos variam muito em tamanho e formato, não sendo muito fácil distinguir as espécies. As quatro espécies cultivadas de abóbora são:

Cucurbita maxima - espécie cultivada originária do sul da América do sul, é a espécie que suporta melhor as baixas temperaturas, preferindo condições um pouco mais amenas do que as outras espécies de abóbora. É a espécie que pode apresentar os maiores e mais pesados frutos, existindo cultivares que podem produzir abóboras com centenas de quilogramas. Nesta espécie, o pedúnculo (o talo do fruto) é arredondado, com consistência de cortiça macia quando seco, e não alarga no ápice (parte do talo que se conecta ao fruto). Suas folhas são mais arredondadas, não apresentando lóbulos (recortes), não têm manchas brancas nas intersecções das nervuras e podem ou não ter acúleos macios (espinhos). Os caules são arredondados e suaves.

Cucurbita moschata – espécie provavelmente originária do México e América Central, é a espécie mais cultivada em regiões tropicais, pois prefere condições de cultivo mais quentes e úmidas. É a espécie mais sensível a baixas temperaturas. Nesta espécie, o pedúnculo (o talo do fruto) é anguloso e duro, alargando no ápice (parte do talo que se conecta ao fruto). As folhas de plantas bem desenvolvidas têm manchas esbranquiçadas nas intersecções das nervuras, geralmente têm recortes suaves, com bordas angulares e são pubescentes (têm pelos). Os caules são moderadamente angulosos.

Cucurbita pepo – outra espécie originária do México, pode ser a mais antiga das espécies domesticadas de abóbora e é a espécie que apresenta a maior variação morfológica. Apresenta cultivares com frutos que são colhidos maduros e cultivares com frutos que são colhidos e consumidos ainda imaturos. Estas últimas cultivares são chamadas popularmente de abobrinhas (veja o artigo sobre a abobrinha). Há ainda várias cultivares ornamentais, cujos frutos não são apropriados para consumo. Nesta espécie, o pedúnculo é proeminentemente anguloso e duro, alargando levemente no ápice. Suas folhas têm uma textura mais grosseira do que as das outras espécies, geralmente apresentando muitos acúleos (espinhos), e pode apresentar manchas esbranquiçadas na intersecção das nervuras. Quanto à borda, as folhas podem ou não apresentar recortes, podendo estes ser bastante acentuados. Os caules são angulosos e podem ter muitos acúleos.

Cucurbita argyrosperma (anteriormente denominada Cucurbita mixta) – originária do sul do México, é muito menos cultivada no mundo do que as outras três espécies acima. Suas características são muito semelhantes às da espécie C. moschata, mas o pedúnculo não é tão anguloso, se tornando mais arredondado quando o fruto está maduro. A polpa do fruto apresenta uma textura mais grosseira.

Aboboreira jovem
Aboboreira jovem, da espécie Cucurbita maxima - imagem original: Nick Ares - Licença Creative Commons

Clima

As abóboras são plantas que crescem melhor em clima moderadamente quente, sendo o ideal temperaturas médias acima de 18°C e abaixo de 27°C. As plantas podem ser prejudicadas por temperaturas abaixo de 10°C e não suportam geadas. As espécies C. máxima e C. pepo são mais tolerantes a temperaturas mais baixas do que as espécies C. moschata e C. argyrosperma, que suportam melhor altas temperaturas.

Luminosidade

As abóboras e morangas crescem melhor em locais ensolarados, mas podem ser cultivadas com sombra parcial, desde que haja uma alta luminosidade.

Aboboreira com abóbora
Uma proteção pode ser colocada embaixo da abóbora em crescimento para que o fruto não fique em contato com o solo - imagem original: Nick Ares - Licença Creative Commons

Solo

Cultive em solo bem drenado, fértil, rico em matéria orgânica e com boa disponibilidade de nitrogênio. O pH ideal do solo varia entre 5,5 e 6,8.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado. Plantas adultas podem ser resistentes a curtos períodos de seca.

A aboboreira geralmente cresce bastante, assim uma vara pode ser fincada verticalmente no local onde as sementes são semeadas para marcar o centro da futura planta, permitindo direcionar a irrigação e evitar o desperdício de água.

Muda de abóbora
Muda de abóbora - imagem original: 305 Seahill - Licença Creative Commons

Plantio

Semeie as sementes de abóbora ou moranga no local definitivo, fazendo covas de 45 cm de profundidade e 60 cm de diâmetro para cultivares cujas plantas têm grande porte, e de 30 cm de profundidade e 50 cm de diâmetro para cultivares menores. A terra retirada de cada cova deve ser adubada com esterco bem curtido, húmus de minhoca ou composto orgânico. Após fechar a cova com a terra já adubada, irrigue e coloque 2 ou 3 sementes em um pequeno buraco de cerca de 2 cm de profundidade.

As sementes também podem ser semeadas em vasos pequenos, saquinhos plásticos ou copinhos de 10 cm de altura e 5 cm de diâmetro feitos com papel jornal. O transplante das mudas de abóbora para o local definitivo pode ser feito quando as mudas têm três folhas verdadeiras.

Flor masculina da abóbora
Flor masculina da abóbora - imagem original: Till Westermayer - Licença Creative Commons
Flor feminina da abóbora
Flor feminina da abóbora. Note o ovário da flor (a minúscula abóbora na base da flor), que após a polinização se desenvolverá no fruto - imagem original: nociveglia - Licença Creative Commons

Tratos culturais

No início do cultivo, retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos.

Como outras cucurbitáceas, as aboboreiras são monoécias, ou seja, presentam flores masculinas e flores femininas, embora cada planta produza os dois gêneros de flores. Flores masculinas produzem pólen e não formam frutos. Flores femininas têm um ovário inferior que lembra uma minúscula abóbora e este se desenvolve no fruto quando a flor é polinizada.

A presença de insetos polinizadores, principalmente abelhas, é necessária para a polinização das flores e a formação dos frutos. Se não houver abelhas e não houver formação de frutos, realize a polinização das flores manualmente com a ajuda de um pequeno pincel de cerdas suaves, transferindo o pólen das flores masculinas para as flores femininas. Outra alternativa é colher algumas flores masculinas e esfregar levemente as anteras carregadas de pólen destas flores no estigma das flores femininas.

Quando a floração se inicia, surgem apenas flores masculinas. As flores femininas começam a aparecer bem depois (de duas semanas a um mês ou mais). Altas temperaturas e dias longos aumentam a proporção de flores masculinas, que todavia sempre são mais numerosas que as flores femininas. As flores se abrem apenas por algumas horas, no início da manhã.

Algumas cultivares híbridas de abóbora podem produzir poucas flores masculinas e nenhum pólen, assim outras cultivares de abóbora da mesma espécie devem ser cultivadas no mesmo local para que a polinização dos híbridos seja possível (informe-se com o fornecedor das sementes híbridas sobre quais cultivares são adequadas para a polinização).

Abóbora gigante
Há uma enorme variabilidade no tamanho, forma e cores das abóboras e morangas. Aqui uma abóbora gigante pesando aproximadamente 782 Kg (1725 libras) - imagem original: Ann Rafalko - Licença Creative Commons

Colheita

A colheita da abóbora ou da moranga pode começar de 85 a 150 dias depois do plantio, dependendo da cultivar e das condições de cultivo. Colha a abóbora quando o talo do fruto ficar amarelo ou marrom, podendo até chegar a rachar em algumas cultivares. Se a abóbora não for consumida brevemente, colha o fruto com o maior comprimento de talo possível. Frutos sem talo podem estragar mais rápido e são menos valorizados quando são utilizados para fins de decoração.

As folhas e flores também podem ser utilizadas como alimento, e as sementes de algumas cultivares são usadas como aperitivo, depois de torradas e salgadas.

Óleo pode ser obtido das sementes, e existem cultivares especialmente adaptadas para este objetivo.